quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O Colapso na Indústria do disco - Por Kid Vinil



Não é de hoje que existe essa discussão em torno do fim do CD fisicamente. Aqui no Brasil, a coisa já caminha para isso há um bom tempo. Lá fora o que está acontecendo é uma reviravolta na indústria do disco.Recentemente, divulgaram informações de que no ano passado houve um certo crescimento na venda de discos de vinil (os famosos bolachões que perderam espaço para o CD no final da década de 80). Hoje, em plena era do download, o vinil volta como um artefato "cult" para colecionadores. Em 2008, o mercado americano apresentou um pequeno crescimento na venda de LPs, um dos campeões de venda foi o álbum "In Rainbows" do Radiohead. 

Engordando essa lista dos mais vendidos encontramos ainda os álbuns dos Beatles, o relançamento em edição dupla de "Thriller", do Michael Jackson, e o LP "Back to Black", de Amy Winehouse, dentre outros.Nesse conturbado mercado do disco, o selo americano Rhino Records, que pertence à Warner, cria produtos especiais em edições limitadas. Os dois mais recentes são uma caixa da clássica banda britanica dos anos 80, The Smiths. Nessa edição chamada "Singles Box" o fã vai encontrar 10 compactos de vinil de 7 polegadas, um pôster e alguns badges. Uma edição limitada de 10 mil cópias para os aficcionados e colecionadores.O segundo artefato saiu esta semana, uma caixa de 4 CDs, limitada também em 10 mil cópias do famoso selo britânico Factory Records. Essa gravadora da cidade de Manchester na Inglaterra foi fundada no início dos anos 80 e lançou gente famosa como Joy Division, New Order e Happy Mondays.Com toda essa reviravolta no formato físico, a indústria lá fora tenta se manter criando produtos especiais, como os citados acima, que pelo menos garantem suas vendas.Hoje o lema é pensar pequeno.

O termo "Megastore" para lojas de discos está perdendo sua força, tanto que semana passada anunciaram o fechamento em abril de uma das maiores lojas de discos do Planeta, a Virgin Records, na Times Square, em Manhattan,NY.O grupo Virgin já vinha mal das pernas há algum tempo, em Londres as atividades da Virgin como gravadora estão cada vez mais reduzidas. E pensar que no final dos anos 80 eles lançavam o Sex Pistols e toda uma geração do pós punk e da new wave britânica. Um império que começou de uma simples lojinha de discos e um pequeno selo que lançava um disco progressivo chamado "Tubular Bells" de um músico inglês chamado Mike Oldfield, em 1973.Graças a esse clássico do rock progressivo e milhões de cópias vendidas pelo mundo, a Virgin Records foi cresecendo e virando aquela potência que muitos conheceram na década de 90. Mas onde foi que eles erraram? O vôo foi alto demais?

Talvez, porque a Virgin virou até empresa aérea e esqueceu de sua atividade principal, "o disco". Na verdade, a Virgin perdeu espaço para os novos independentes como a Domino Records, por exemplo, que hoje pode ser considerada a maior gravadora independente inglesa. No seu catálogo, a Domino tem as duas mais importantes bandas de rock do momento: o Arctic Monkeys e o Franz Ferdinand.

Este último lança semana que vem um dos mais aguardados discos de 2009, o álbum "Tonight".Se o importante é pensar como "micro empresa" a Domino Records está no caminho certo. Com uma estrutura enxugada e sem pensar em vôos arriscados a gravadora consegue hoje os melhores resultados no circuito independente do rock inglês. No inicio desta semana, a Domino Records fez uma ação de marketing que vai repercutir e muito na imprensa inglesa. 
O laçamento do novo single do Franz Ferdinand acontecerá na nova loja da rede independente Rough Trade.Num email para o seu mailing de clientes, a Rough Trade anuncia o show de lançamento do novo single do Franz Ferdinand, dentro da loja com limitação para 250 pessoas. Para isso, o cliente da loja deveria durante o dia comprar os três formatos do single "Tonight", que são dois compactos em vinil de 7 polegadas e um CD single, tudo isso por apenas 3.50 libras (menos de 15 reais). Isso daria direito a uma pulseirinha de identificação para a pessoa assistir ao show do Franz Ferdinand dentro da loja. Toda essa estratégia acaba criando o maior alvoroço no centro de Londres, pessoas fazendo imensas filas desde cedo pra conseguirem o passe e assistirem cara a cara o show do Franz Ferdinand.São essas pequenas ações que valorizam esse novo mercado do disco. 

Apesar de todos os fãs da banda já conhecerem as músicas novas através de downloads ilegais, porém difíceis de controlar pela gravadora, muitos ainda vão querer o formato físico em CD e vinil, pois a gravadora Domino criou algumas edições especiais de "Tonight" para atrair os compradores. Isso é apenas um exemplo de sobrevivência e de pouca ganância criado por um selo que tem seus pés no chão.

Se as grandes lojas ou as "megastores" estão fechando suas portas lá fora, as independentes como a Rough Trade, por exemplo, apresentaram um certo crescimento em 2008. Não se pode mais pensar em vender milhões de cópias, isso ficou no passado. Hoje a venda de discos é pulverizada na forma de edições limitadas a partir de 500 cópias tanto no CD como no vinil. Para isso é necessário - como eu disse - uma estrutura enxugada. Não existe mais espaço para as grandes lojas. Até mesmo as grandes gravadoras estão tentando se enquadrar nesse novo modelo.No ano passado as inglesas Sony e Universal ficaram de olho nesse mercado independente e contrataram artistas como a dupla The Ting Tings e o recente White Lies. Conscientes dessa retração do mercado do disco eles investiram em todos os formatos, principalmente o vinil.

A Sony começou lançado o Ting Tings sómente em compactos de vinil limitados e depois colocou os CDs à venda. A Universal recentemente colocou à venda dois compactos de vinil dos aclamados novatos do White Lies. Tudo isso para suprir as lojinhas independentes, que possuem muitos consumidores de vinil.E no Brasil, será que alguma dessas estratégias daria certo? Infelizmente não para o vinil, pois a única fábrica existente fechou suas portas no inicio de 2008.

No que se refere ao CD, as novas bandas só podem recorrer ao formato independente, pois as grandes gravadoras fecharam suas portas para as novas propostas. Temos até uma distribuidora para os independentes chamada Tratore, mas infelizmente o consumo de CDs caiu assustadoramente nos últimos anos. As razões todo mundo sabe, preço e poder aquisitivo do brasileiro. As coisas poderiam ser diferente se os preços fossem menores, haveria mais lojas independentes, e não como acontece agora, onde muitas estão quase à beira da falência.                                                                                                               

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