Não é de hoje que existe essa
discussão em torno do fim do CD fisicamente. Aqui no Brasil, a coisa já caminha
para isso há um bom tempo. Lá fora o que está acontecendo é uma reviravolta na
indústria do disco.Recentemente, divulgaram informações de que no ano passado
houve um certo crescimento na venda de discos de vinil (os famosos bolachões
que perderam espaço para o CD no final da década de 80). Hoje, em plena era do
download, o vinil volta como um artefato "cult" para colecionadores.
Em 2008, o mercado americano apresentou um pequeno crescimento na venda de LPs,
um dos campeões de venda foi o álbum "In Rainbows" do Radiohead.
Engordando essa lista dos mais
vendidos encontramos ainda os álbuns dos Beatles, o relançamento em edição
dupla de "Thriller", do Michael Jackson, e o LP "Back to
Black", de Amy Winehouse, dentre outros.Nesse conturbado mercado do disco,
o selo americano Rhino Records, que pertence à Warner, cria produtos especiais
em edições limitadas. Os dois mais recentes são uma caixa da clássica banda
britanica dos anos 80, The Smiths. Nessa edição chamada "Singles Box"
o fã vai encontrar 10 compactos de vinil de 7 polegadas, um pôster e alguns
badges. Uma edição limitada de 10 mil cópias para os aficcionados e
colecionadores.O segundo artefato saiu esta semana, uma caixa de 4 CDs,
limitada também em 10 mil cópias do famoso selo britânico Factory Records. Essa
gravadora da cidade de Manchester na Inglaterra foi fundada no início dos anos
80 e lançou gente famosa como Joy Division, New Order e Happy Mondays.Com toda
essa reviravolta no formato físico, a indústria lá fora tenta se manter criando
produtos especiais, como os citados acima, que pelo menos garantem suas
vendas.Hoje o lema é pensar pequeno.
O termo "Megastore" para
lojas de discos está perdendo sua força, tanto que semana passada anunciaram o
fechamento em abril de uma das maiores lojas de discos do Planeta, a Virgin
Records, na Times Square, em Manhattan,NY.O grupo Virgin já vinha mal das
pernas há algum tempo, em Londres as atividades da Virgin como gravadora estão
cada vez mais reduzidas. E pensar que no final dos anos 80 eles lançavam o Sex
Pistols e toda uma geração do pós punk e da new wave britânica. Um império que
começou de uma simples lojinha de discos e um pequeno selo que lançava um disco
progressivo chamado "Tubular Bells" de um músico inglês chamado Mike
Oldfield, em 1973.Graças a esse clássico do rock progressivo e milhões de
cópias vendidas pelo mundo, a Virgin Records foi cresecendo e virando aquela
potência que muitos conheceram na década de 90. Mas onde foi que eles erraram?
O vôo foi alto demais?
Talvez, porque a Virgin virou até
empresa aérea e esqueceu de sua atividade principal, "o disco". Na
verdade, a Virgin perdeu espaço para os novos independentes como a Domino
Records, por exemplo, que hoje pode ser considerada a maior gravadora
independente inglesa. No seu catálogo, a Domino tem as duas mais importantes
bandas de rock do momento: o Arctic Monkeys e o Franz Ferdinand.
Este último lança semana que vem um
dos mais aguardados discos de 2009, o álbum "Tonight".Se o importante
é pensar como "micro empresa" a Domino Records está no caminho certo.
Com uma estrutura enxugada e sem pensar em vôos arriscados a gravadora consegue
hoje os melhores resultados no circuito independente do rock inglês. No inicio
desta semana, a Domino Records fez uma ação de marketing que vai repercutir e
muito na imprensa inglesa.
O laçamento do novo single do Franz
Ferdinand acontecerá na nova loja da rede independente Rough Trade.Num email
para o seu mailing de clientes, a Rough Trade anuncia o show de lançamento do
novo single do Franz Ferdinand, dentro da loja com limitação para 250 pessoas.
Para isso, o cliente da loja deveria durante o dia comprar os três formatos do
single "Tonight", que são dois compactos em vinil de 7 polegadas e um
CD single, tudo isso por apenas 3.50 libras (menos de 15 reais). Isso daria
direito a uma pulseirinha de identificação para a pessoa assistir ao show do
Franz Ferdinand dentro da loja. Toda essa estratégia acaba criando o maior
alvoroço no centro de Londres, pessoas fazendo imensas filas desde cedo pra
conseguirem o passe e assistirem cara a cara o show do Franz Ferdinand.São
essas pequenas ações que valorizam esse novo mercado do disco.
Apesar de todos
os fãs da banda já conhecerem as músicas novas através de downloads ilegais,
porém difíceis de controlar pela gravadora, muitos ainda vão querer o formato
físico em CD e vinil, pois a gravadora Domino criou algumas edições especiais
de "Tonight" para atrair os compradores. Isso é apenas um exemplo de
sobrevivência e de pouca ganância criado por um selo que tem seus pés no chão.
Se as grandes lojas ou as
"megastores" estão fechando suas portas lá fora, as independentes
como a Rough Trade, por exemplo, apresentaram um certo crescimento em 2008. Não
se pode mais pensar em vender milhões de cópias, isso ficou no passado. Hoje a
venda de discos é pulverizada na forma de edições limitadas a partir de 500
cópias tanto no CD como no vinil. Para isso é necessário - como eu disse - uma
estrutura enxugada. Não existe mais espaço para as grandes lojas. Até mesmo as
grandes gravadoras estão tentando se enquadrar nesse novo modelo.No ano passado
as inglesas Sony e Universal ficaram de olho nesse mercado independente e
contrataram artistas como a dupla The Ting Tings e o recente White Lies.
Conscientes dessa retração do mercado do disco eles investiram em todos os
formatos, principalmente o vinil.
A Sony começou lançado o Ting Tings
sómente em compactos de vinil limitados e depois colocou os CDs à venda. A Universal
recentemente colocou à venda dois compactos de vinil dos aclamados novatos do
White Lies. Tudo isso para suprir as lojinhas independentes, que possuem muitos
consumidores de vinil.E no Brasil, será que alguma dessas estratégias daria
certo? Infelizmente não para o vinil, pois a única fábrica existente fechou
suas portas no inicio de 2008.
No que se refere ao CD, as novas
bandas só podem recorrer ao formato independente, pois as grandes gravadoras
fecharam suas portas para as novas propostas. Temos até uma distribuidora para
os independentes chamada Tratore, mas infelizmente o consumo de CDs caiu
assustadoramente nos últimos anos. As razões todo mundo sabe, preço e poder
aquisitivo do brasileiro. As coisas poderiam ser diferente se os preços fossem
menores, haveria mais lojas independentes, e não como acontece agora, onde
muitas estão quase à beira da falência.
Créditos - http://djandrezinho.blogspot.com/
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