Para quem nunca ouviu falar de Tony Hits (acho difícil), o embaixador do Samba-Rock, disponibilizo no blog, a história deste, que mostrou que a palavra nostalgia, não é sinônimo de tristeza, mas certamente de alegria, confira !!!
Aos 13 anos Tony Hits conheceu a música de Ray Charles e juntou uns trocados para comprar seu primeiro vinil. Ainda sem seu próprio toca-discos, visitava os amigos com o disco do pai do soul embaixo do braço, para poder ouvi-lo. Em razão da pouca idade, só podia freqüentar bailes familiares.
Quando conseguiu comprar seu próprio toca-disco, passou a prestar atenção nas músicas que rolavam nos bailes do bairro: Roberto Carlos, Wilson Simonal, Jorge Ben, Wanderléia, Dóris Monteiro,Sérgio Murilo, Erasmo Carlos, Celly Campelo, Renato e Seus Blue Caps, dentre outros.
No início dos anos 70 o jovem Tony, ouvia muita música. Atento, foi acrescentando à sua coleção as novidades que surgiam, como Tim Maia, Hyldon,Cassiano e Sandra de Sá. Em 1972, munido do pequeno acervo de discos que montara,Tony organizou com dois amigos sua primeira festa. Sem mixer, sem fone de ouvido e apenas com uma vitrola, Tony deu o som na raça.
Mesmo sem o aparato que anos depois passou a integrar a vida dos DJs, a festa foi um sucesso. A partir dela Tony conseguiu que a Sociedade Amigos da Vila Santa Catarina, na zona sul, cedesse espaço para bailes mensais.
Com seus discos, amigos, aparelhagem rudimentar - mas funcional -, a experiência do primeiro evento e o espaço para os bailes, Tony criou sua própria equipe, batizada de "Verde Amarelo" por sua irmã.
Com o movimento black power em meados da década de 70 misturando estilo e comportamento, e a explosão musical promovida por James Brown e sua "SexMachine", novas bandas foram naturalmente introduzidas nos toca-discos das festas da época: Earth, Wind & Fire, Bar-Kays, War, Con Funk Shun etc. Por causa desse contágio black, novas equipes surgiram para preencher a necessidade de novos bailes.
Mesmo pesquisando novidades, Tony mantinha sua linha calcada na nostalgia, que agradava a maioria dos frequentadores de seus bailes. Assim, hits da época se misturavam a antigos sucessos internacionais que embalavam o pessoal, como Brenda Lee, Jimmy Smith, Peres Prado, Johnny Rivers, Chubby Checker e StanGetz.
Toda essa efervescência musical desaguou nos anos 80 com um nome para um estilo que não era unanimidade nos bailes mas encontrava espaçonas equipes que preferiam a música negra para fazer a galera dançar: o samba-rock. Essa mistura de black, nostalgia e samba-rock ficou conhecida como "balanço black".
Em 1984, já com mais de 10 anos de experiência como DJ de bailes, Tony Hits resolveu convidar alguns cantores para se apresentarem durante as festas. Deu oportunidade para o pessoal que estava começando o pagode, como Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal e Jovelina Pérola Negra. Misturados ao samba-rock tocado por Tony Hits, esses shows lotavam os salões.
Com a fama de seus bailes e todo o conhecimento musical adquirido durante quase duas décadas como DJ, Tony Hits resolveu montar, no começo dos anos 90, um sebo de vinis especializado em música black e samba-rock.
Desde a abertura, a loja recebeu grandes nomes da música brasileira e internacional e celebridades que passaram por lá para prestigiar essa fonte inesgotável de histórias, como AfrikaBambaataa, Marky Marky, Mano Brown, Simoninha, Ramilson Maia, Bebeto, Charles Gavin, Jair Rodrigues, Dudu Marote, Luis Wagner, Nereu, Fritz, Joãozinho Carnavalesco, Grupo Art Popular, Péricles, Elizabeth Viana, Marisa Orth e muitos outros.
Em 1998 Tony levou ao ar, pela Rádio Imprensa, o programa "Clássicos da Nostalgia". Idealizado por Natanael Valêncio e patrocinado por Marcos Green, trazia também o DJ Adalto Remix e fez enorme sucesso.
Durante três anos, o programa levou para os ouvintes de rádio os bons e velhos tempos dos bailes de samba-rock e nostalgia. Artistas consagrados, como Paula Lima, Bebeto, Ciro Aguiar, Luis Wagner e vários outros, foram entrevistados.
O sucesso foi tanto que montaram a equipe de baile "Clássicos da Nostalgia", que se destacou entre asmelhores da cidade, fazendo festas em casas como Club Homs, Casa de Portugal e Círculo Militar.
O reconhecimento por todo esse envolvimento com a música aparece em revistas e jornais do Brasil e de outros lugares do mundo, que publicaram matérias eentrevistas com Tony Hits. Também figura no livro "Todo DJ jásambou", da jornalista Claudia Assef, que conta a história dos disc-jockeys brasileiros.
A história do envolvimento do Tony com a música do balanço black por quase três décadas faz da sua loja uma área de preservação musical, o principal centro de resistência e divulgação do samba-rock, do funk e do soul, ao abrigar raridades da música brasileira e internacional e também por reter parte da memória dos bailes, dos bastidores das festas e das equipes que, por anos, garantiram os embalos na cidade de São Paulo.
Ao sair da loja, tendo ainda de passar pelo salão de baile para ganhar a rua, você se sente como quem foi arrebatado pela lembrança de uma época ainda recente, gravada nos relatos do Tony e nos sulcos de cada um de seus vinis.